Comportamento

Eu não quero mais o status da SPFW

| 28 de abril de 2019

Alguns dias atrás ouvi um podcast da Thereza Chammas, que escreve para o blog Fashionismo, e o conteúdo do áudio me fez pensar. Ela falava sobre o Coachella, festival de música que acontece todos os anos na Califórnia. Sempre foi hypado e caro. Os artistas e influenciadores desfilavam por lá com seus looks totalmente instagramáveis. Eu mesma fui fã do Coachella por anos. Aqui no blog, por exemplo, tem vários posts reunindo looks memoráveis do evento. Mas depois de ouvir a reflexão da Thereza, em que ela explica como esse sistema anda tão desinteressante, percebi que concordava com tudo e comecei a fazer minha própria análise, dentro da minha própria realidade.

No meu primeiro ano de faculdade (e também de mercado de trabalho) consegui um ingresso para a São Paulo Fashion Week. Foi minha primeira vez em um evento que, até então, me parecia tão distante. Algo inatingível, sabe? Rolou vlog no canal e até post no blog. Aquilo significou demais pra mim… Era, de verdade, como realizar um sonho! Mas esse sonho passou. 

Hoje, não tenho mais vontade alguma de ir à SPFW. Perdeu o hype, o glamour, o status que tudo isso tinha pra mim. E agora, depois de ouvir o podcast da Thereza, dá pra relacionar totalmente com o caso do Coachella. Os looks do pessoal que passa pelo festival são incríveis? Claro que são! Mas é um festival de música. Durante os dois finais de semana do festival, eu abria o Instagram e via as mesmas imagens. As mesmas blogueiras faziam as mesmas poses em frente aos mesmos cenários. Cansa, né? E na hora do show, a preocupação em gravar tudo e postar nos stories passava longe da vibe de curtir o momento. Acho que isso ficou bem saturado pra mim e com a SPFW é a mesma coisa.

Passaram mais alguns dias e chegou sábado, 27 de abril – exatamente três anos depois da minha primeira vez na SPFW, em 2016. Um modelo desmaiou na passarela durante o desfile e algum tempo depois anunciaram a sua morte. De primeira, qualquer um fica em choque com a notícia. É uma tragédia. No meu curto tempo acompanhando a indústria da moda, não me lembrava de ter visto uma fatalidade como essa. Mas, maior fatalidade ainda foi o que aconteceu depois. 

Depois do modelo desmaiar e ser retirado da passarela pra receber atendimento médico, o desfile continuou. As pessoas aplaudiram, os estilistas agradeceram. A SPFW divulgou uma nota lamentando a morte, mas os desfiles continuaram e a programação do evento permaneceu igual por opção das próprias marcas. Quando eu vejo coisas como essa, volta aquela ideia de como a moda é desumana. Para qualquer grife que emplaca uma coleção na semana de moda, é um momento de vitória. Mas é justo comemorar isso ao mesmo tempo em que outro ser humano perdeu a vida ali mesmo? Essa insensibilidade e falta de empatia é triste. Sem contar que essa tragédia teve destaque porque aconteceu na cara da sociedade e logo atraiu a atenção da mídia, mas têm milhares de pessoas vítimas da indústria da moda e que não tem os mesmos holofotes (vide o post sobre Rana Plaza). Acho que a moda vêm perdendo um pouco a graça. Ou talvez seja eu que, de uns tempos pra cá, tenho visto tudo com outros olhos…

Desde que percebi meu comportamento mudar em relação à moda, falei com algumas pessoas sobre o assunto para ouvir mais opiniões. Essa é a proposta do post: não ser apenas um objeto de reflexão, mas de diálogo e troca. Vamos expandir a conversa?

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Moda

Rana Plaza e a indústria da moda: por que precisamos repensar nosso consumo?

| 24 de abril de 2019

Alguns meses atrás, eu assisti ao documentário The True Cost na Netflix. Aquilo abriu minha cabeça para várias questões relacionadas à sustentabilidade na moda e, principalmente, aos meios de produção nessa que é uma das mais lucrativas indústrias do mundo.

Em vários momentos, o documentário aborda a tragédia de Rana Plaza, quando um desabamento de prédio em Bangladesh deixou mais de mil mortos em abril de 2013. Agora, exatamente seis anos após o desastre, li um texto publicado no site Business of Fashion que me fez pensar ainda mais sobre os riscos dessa indústria. Apesar de ser de fevereiro deste ano, decidi traduzi-lo e compartilhar aqui, de forma que vocês possam ter essa reflexão também e para repensarmos juntos nosso consumo.

Seis anos após Rana Plaza, segurança de trabalho está ameaçada em Bangladesh de novo

Seis anos atrás, o desabamento de uma fábrica em Rana Plaza matou mais de mil pessoas, empurrando violentamente a questão das condições de trabalho na indústria da moda de Bangladesh para o cenário global. Agora, a iniciativa emblemática da indústria para melhorar a segurança do trabalhador corre um perigo iminente de perder o equilíbrio no país, mesmo com milhares de trabalhadores do setor enfrentando desemprego e ações legais por protestos contra baixos salários.

A situação destaca a tensão contínua entre a demanda do mundo ocidental por produtos baratos e a demanda crescente por processos de fabricação mais éticos e sustentáveis. A cada ano, cerca de 30 bilhões de dólares em roupas deixam Bangladesh com destino a lojas como H&M e Zara. Essas marcas e muitas outras têm apoiado ativamente iniciativas para melhorar os direitos e a segurança dos trabalhadores. No entanto, Bangladesh continua sendo um importante centro de fabricação. Se as condições se deteriorarem, não há muitas alternativas que possam corresponder à produção do país em volume ou preço.

“Desde Rana Plaza, o abastecimento de Bangladesh só continuou a crescer”, disse Liana Foxvog, diretora de campanhas do Fórum Internacional dos Direitos Trabalhistas. “O governo pode pensar que, visto que as marcas mantêm as fontes daqui, parece que elas não se importam com os direitos dos trabalhadores, apesar do que dizem publicamente”. 

No rescaldo do desastre de Rana Plaza, os varejistas norte-americanos e europeus enfrentaram uma pressão sem precedentes de consumidores e ativistas para encarar as condições muitas vezes miseráveis ​​dos trabalhadores que fazem suas roupas. Mais de 200 marcas juntaram-se a sindicatos para formar duas organizações que criaram compromissos juridicamente vinculativos para garantir a segurança dos trabalhadores. Essas iniciativas, conhecidas como Accord on Fire and Building Safety in Bangladesh e Alliance for Bangladesh Worker Safety, conseguiram consertar cerca de 90% dos problemas originalmente encontrados nas fábricas que eles cobrem. Mas eles também foram destinados a ser temporários. O Alliance encerrou suas operações no ano passado, entregando suas responsabilidades aos parceiros locais; já o Accord foi estendido para 2021. Mais de 190 marcas, em grande parte europeias, assinaram a extensão, mas enfrentam uma crescente oposição do governo de Bangladesh e dos proprietários de fábricas.

Em maio de 2018, um tribunal superior decidiu que o Accord poderia permanecer no país por apenas mais seis meses. Eles recorreram da decisão e o caso se arrastou. Em fevereiro de 2019, uma divisão da suprema corte do país concedeu ao Accord outro adiamento, postergando o caso para 7 de abril. Mas a incerteza sobre o futuro da organização levantou preocupações de que os ganhos de segurança obtidos nos últimos anos poderiam ser revertidos. “O que foi alcançado tem sido lento, mas é um progresso de mudar o jogo”, disse Aruna Kashyap, conselheira sênior da divisão de direitos das mulheres da Human Rights Watch. “O governo está no precipício de desfazer tudo por causa dessa oposição política ao Accord.”

Os anos se passaram sem outro grande incidente, então a situação dos trabalhadores do setor de vestuário de Bangladesh sumiu da consciência dos consumidores ocidentais. Enquanto isso, a demanda por moda barata e rápida de Bangladesh só continuou a crescer. Entre 2010 e 2017, a participação do país nas exportações globais de vestuário aumentou de 4,2% para 6,5%, segundo a Organização Mundial do Comércio. Ao mesmo tempo, entre 2011 e 2016, as margens de lucro nas fábricas de fornecedores em Bangladesh caíram cerca de 13%, segundo um relatório publicado no ano passado pela Pennsylvania State University. Isso contribuiu para uma diminuição nos salários reais e aumento das violações dos direitos dos trabalhadores desde o desastre do Rana Plaza, com exceção das melhorias de segurança graças ao Accord

Milhares de trabalhadores foram demitidos nos últimos meses depois de protestar contra mudanças no salário mínimo do país. Muitos também estão enfrentando ações legais movidas por proprietários de fábricas, segundo representantes sindicais. Empresas que operam no país disseram que estavam trabalhando com sindicatos para investigar e resolver os problemas recentes. A ameaça ao Accord e as questões em torno dos salários são “como duas batalhas paralelas que estamos combatendo ao mesmo tempo”, disse Kalpona Akter, fundador e diretor executivo do Bangladesh Centre for Worker Solidarity, uma organização de direitos trabalhistas.

Representantes do governo não responderam aos pedidos de comentários. Bangladesh pediu que sua própria unidade de vigilância substituísse o Accord, levando o regulamento de segurança de volta às mãos do governo. Embora os padrões de segurança tenham melhorado significativamente desde 2013, o Accord afirma que seu trabalho ainda não está concluído. Por exemplo, apenas 49% das fábricas da Accord que tinham sistemas de incêndio inadequados durante as inspeções iniciais instalaram sistemas compatíveis de detecção e prevenção. De acordo com o Fórum Internacional dos Direitos do Trabalho, cerca de 40 pessoas morreram em consequência de incêndios e incidentes relacionados nas fábricas de roupas de Bangladesh desde 2013. Negociações que permitiriam uma transição gradual das responsabilidades do Accord para o governo até agora não resultaram em um acordo.

“As marcas deixaram claro em várias ocasiões que o fechamento prematuro do Accord em Bangladesh faria com que reconsiderassem as posições de abastecimento e colocassem em risco a reputação de Bangladesh como um país seguro”, disse o vice-diretor do Accord, Joris Oldenziel. Nos bastidores, as empresas têm pressionado por uma solução e se esforçam para implementar medidas para proteger seus negócios. 

Embora haja amplo consenso, o governo deve eventualmente assumir a responsabilidade de monitorar os padrões de segurança, mas observadores do setor dizem que o governo não possui a equipe ou infraestrutura qualificada para assumir o controle. A repressão aos trabalhadores que protestam contra mudanças no salário mínimo também levantou questões sobre seu compromisso com a proteção dos direitos dos trabalhadores.

Sérias questões trabalhistas, como as de Bangladesh, estão se tornando uma crescente responsabilidade, já que as empresas enfrentam cada vez mais pressão de consumidores, investidores e governos para mostrar que estão mantendo padrões éticos em suas cadeias de fornecimento. Muitas marcas dizem que estão tentando agir com mais responsabilidade, inscrevendo-se em iniciativas do setor que apoiam os direitos dos trabalhadores, mas na esteira da recente repressão em Bangladesh, alguns acham que não foram proativos o suficiente para proteger as pessoas que fazem suas roupas.

Se o Accord for eliminado, poderá ser um verdadeiro teste para o compromisso das marcas com a ação. Nos últimos cinco anos, a sua supervisão tornou-se um dos pilares da licença social de muitas marcas para operar em Bangladesh. Se não puder continuar as operações no país, centenas de fábricas que foram sinalizadas por violações de segurança podem perder o direito de fazer negócios com marcas ocidentais em questão de meses. “Se o Accord for jogado fora do país e essa repressão continuar, não acho que isso trará algo bom para a indústria”, disse Akter.

Encerro esse post com um vídeo super explicativo da Nátaly Neri. Assistam e retornem aqui para debatermos ainda mais o tema 🙂

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Comportamento

Diário de TCC #1: Qual tema eu escolhi?

| 22 de abril de 2019

Os anos passaram voando e agora chegou o momento de fazer o TCC, o trabalho de conclusão de curso! Escolhi um formato digital, que pudesse ser acessado por todos, então o YouTube vai ser minha plataforma pra publicar uma websérie sobre a importância da gastronomia como preservação cultural dos imigrantes em São Paulo

No primeiro vídeo do meu diário de TCC, explico como cheguei nesse tema e mais outros detalhes que precisamos nos atentar antes de colocar a mão na massa e, de fato, começar a executar nosso projeto. Espero que gostem!

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Comportamento

Seu corpo não precisa ser perfeito – e esse termo nem deveria existir

| 1 de abril de 2019

Andei pensando sobre corpo. Como qualquer outra menina dos anos 90 (ou convenhamos, de qualquer outra época), eu cresci achando que o corpo perfeito era magro. Que bonito era sentar e a barriga não dobrar. Que doce só era permitido aos finais de semana. Refrigerante? Jamais, isso dá celulite! Já encarei dietas com vitamina de proteína, malhava todos os dias e cheguei a cortar da alimentação tudo que não era bem visto pelo suposto “ideal de corpo perfeito”. 

Mas as coisas mudam – ainda bem! A sociedade se transforma o tempo todo e, nessas de acompanhar as tendências, percebi que meu corpo não precisa ser perfeito. Na verdade, percebi que esse termo nem deveria existir. O que é perfeito, senão o padrão de beleza de décadas atrás? 

Quando sento, minha barriga pode dobrar – assim como pode ficar retinha. Posso comer doce todos os dias e optar por nunca me privar dos alimentos que gosto – assim como posso seguir uma alimentação super regrada e nunca comer besteiras. Posso tomar refrigerante sempre que der vontade – e daí se der celulite? 95% das mulheres têm e eu não sou diferente. 

Com isso em mente, separei textos incríveis que li na internet e abordam nossa relação com o próprio corpo. Você não precisa ser escrava de uma ideologia que prega a perfeição. Leia e faça bom uso!

Transformei meu corpo para caber em um vestido de noiva e não recomendo | Glamour Brasil

Ter um corpo perfeito não é tudo nessa vida | Superela

Quando entendi como amar meu corpo | Modices

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Gastronomia | Viagens

Um dia em Amsterdam: o que fazer e onde comer a melhor torta de maçã

| 26 de março de 2019

Amsterdam sempre foi um destino muito esperado aqui em casa – principalmente pela minha mãe, que sempre falava em conhecer a cidade! Tivemos pouco mais de um dia pela capital da Holanda, mas acredito que tenha sido o suficiente para aproveitarmos os principais pontos turísticos. É claro que, se você tiver mais tempo disponível, a cidade ainda tem muitos outros lugares lindos para conhecer!

CLIQUE AQUI E LEIA MAIS SOBRE A HOLANDA!

Começamos o dia pelo Museu do Van Gogh. Como é uma atração concorrida, aconselho que você visite-a logo de manhã, assim não pegará filas para entrar nem aquela multidão de pessoas tentando ver as obras. O acervo é imenso e reúne não somente as obras do pintor holandês, mas também de outros artistas que seguiam a mesma estética e conheciam o Van Gogh. O ingresso custa 19 euros e é gratuito para jovens até 17 anos.

O museu fica em Museumstraat, região onde estão os principais museus de Amsterdam, como o famosíssimo Rijksmuseum. Nós não o visitamos, mas é uma ótima pedida caso você tenha mais tempo – ele fica em um edifício lindo do século 19 e abriga várias obras de arte europeias!

Outro passeio que você pode ir logo no início do dia é a Casa da Anne Frank, com certeza minha atração favorita de Amsterdam – e talvez da viagem inteira! Anne Frank foi uma adolescente alemã que escreveu um diário entre junho de 1942 e agosto de 1944, período em que ficou escondida em um esconderijo secreto durante a ocupação nazista na Holanda. O passeio pelo Anexo Secreto onde ela e mais sete judeus ficaram escondidos por mais de dois anos é emocionante. Posso usar mil adjetivos para tentar descrever o que senti quando estive lá, mas nada substitui a visita. É um lugar que todos deveriam ir e uma história que jamais pode ser esquecida. 

Sugiro que você compre o ingresso online e reserve um horário, assim não corre o risco de enfrentar filas imensas! A entrada sai por 10 euros.

O Red Light District (Distrito da Luz Vermelha) é mundialmente famoso por ser uma região de Amsterdam em que a prostituição acontece ao vivo e a cores. A prática é legalizada no país e a região leva esse nome porque abriga vários prostíbulos em que as mulheres ficam expostas nas vitrines. Não tive coragem de tirar nenhuma foto, porque além de ser invasivo com as mulheres, retrata uma profissão tão sofrida, apesar de ser autorizada.

Além da prostituição, Amsterdam também é conhecida por legalizar o consumo de maconha. Nos chamados coffee shops, você consegue comprar maconha ou haxixe se for maior de 18 anos. Pela lei é proibido consumir na rua, por isso existem esses estabelecimentos em que as pessoas vão apenas para fumar – na prática isso é bem diferente, claro. 

A cidade de Amsterdam é um verdadeiro mar de bicicletas. Os holandeses utilizam como meio de transporte para tudo, inclusive trabalhar – o que pode parecer estranho para nós, aqui do Brasil, mas lá funciona super bem! É preciso ter atenção redobrada ao andar nas ruas, porque as bikes são velozes e não costumam respeitar os pedestres. 

No mais, esses são os principais pontos turísticos e fatos interessantes sobre Amsterdam. A cidade é perfeita para ser explorada a pé e os turistas (inclusive eu!) amam se perder entre os canais, que rendem fotos maravilhosas!

ONDE COMER EM AMSTERDAM?

Para encerrar um dia de passeios em Amsterdam, nada como provar as delícias da cidade no pequeníssimo Winkel 43. Vi essa indicação em todos os sites de viagem que li e não poderia deixar de repassar aqui pra vocês. Dizem que o lugar serve a melhor torta de maçã de Amsterdam – e eu nem ouso duvidar, porque realmente era incrível! O pedaço acompanha chantilly e é super bem servido. Outra dica é pedir os croquetes da casa (dutch meatballs), que também são deliciosos e clássicos do restaurante!

Winkel 43: Noordermarkt 43

Foi para Amsterdam e visitou outros lugares? Deixe as dicas aqui nos comentários!

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