Beleza

A superfície da minha pele

| 16 de novembro de 2019

Por Elizabeth Matravolgyi

São cinco horas da manhã. Acordo. Levanto. Vou até o banheiro e me olho no espelho. Volto para cama. O corpo cansado e a dificuldade de olhar o meu reflexo me fazem querer ficar na cama o dia todo. Mas, aí, penso. O que vão pensar? Das marcas vermelhas e inchadas no meu rosto. 

Levanto novamente. Dessa vez mais rápido e menos cansada. Me olho de novo no espelho. Ah, não tem o que fazer. Começo sentindo dores. Cada ponto uma dor. Uma dor que vem de fora para dentro e de dentro para fora. 

Passo diversas pomadas que fazem a minha pele arder. É uma ardência boa. Sinto que precisa doer para ir embora. Começo passando o primer. Afinal, sem ele todo esse reboco derrete antes mesmo de sair de casa. Passo a primeira camada de base. Tento passar com a mão leve, pois o meu rosto ainda dói. 

Passo a segunda e a terceira camada. Passo nas bochechas, testa e pescoço. Peço para a minha mãe passar nas minhas costas também. Está calor e quero usar minha blusa regata. 

São seis horas. E ainda nem está na metade do processo. Passo o corretivo. Três tipos diferentes para diferentes partes da minha pele. Uso um pincel fino e passo como se fosse uma tinta em uma tela. 

Depois vem o pó, contorno, blush, sombra, delineado, iluminador, rímel e cílios postiços. Acerto a sobrancelha, passo um pouco mais de pó e finalizo com um batom. 

Ufa! São sete horas da manhã. Tomo o café com canudo para não borrar o batom e coloco o uniforme da escola com muito cuidado para não manchar a minha roupa. 

Me olho no espelho novamente, antes de sair, e me sinto igual a quando acordei. Mas, agora, sinto que vou ser aceita pela pessoas do colégio. E, isso, me faz querer sair de casa.

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